Maratona de cartas - Amnistia
Direitos Humanos

Se pudesses mudar uma vida – ou o mundo – só com o teu nome… o que farias?

Mudar o mundo não é tarefa fácil. Dizem que os heróis e heroínas que contribuem para isso precisam de muita coragem, perseverança e força de vontade. Mas a verdade é que há também formas de contribuir muito mais fáceis, que estão ao alcance de todos e todas nós. E que funcionam!

Estamos a falar da Maratona de Cartas, da Amnistia Internacional. A Maratona de Cartas é o maior evento de mobilização e ativismo para os direitos humanos no mundo, e assenta na ideia de envolver o máximo número de pessoas possível para darem o seu nome em apoio a alguns casos de pessoas que estão a sofrer alguma injustiça em algum lugar no mundo. E o que é que resolve? Bem, na verdade é mostrar a quem está a cometer essas injustiças que tem “os olhos” (e canetas) de milhares de pessoas do mundo atentos aquele caso. É mostrar que há milhares de pessoas atentas e preocupadas com aquilo que tantos querem manter na escuridão. E esta mobilização de milhares e milhares de pessoas (no ano passado foram mais de 308 mil assinaturas em Portugal e 5 milhões e meio no mundo) pressionam os governos a tomarem ações muito concretas, a mudarem leis e a trazerem à justiça quem comete os abusos de direitos humanos.

Este ano, em Portugal, escolhemos cinco casos de mulheres que estão em risco por defenderem os direitos humanos, de lutarem por um mundo melhor.

Por ordem alfabética, a primeira é Atena Daemi, do Irão, que luta incansavelmente para que se acabe com a pena de morte naquele país. Atena criticou o recorde de execuções do país nas redes sociais, distribuiu panfletos e participou num protesto pacífico contra a execução de uma jovem mulher, entre outras ações. Estas simples ações foram usadas como “provas” para a condenar a sete anos de prisão. O seu julgamento demorou apenas 15 minutos e, já na prisão, foi alvo de ataques violentos e degradantes. É mais um exemplo cruel de como o Irão silencia o ativismo pacífico.

Depois, Geraldine Chácon, na Venezuela. Geraldine sempre quis defender outras pessoas. É por isso que ajuda a capacitar jovens a defenderem os seus direitos na sua cidade, Caracas. No entanto, foi reprimida pelas autoridades apenas por tentar fazer do seu país um lugar melhor para se viver.  Prenderam-na durante quatro meses e impediram-na de sair do país. O seu processo não foi fechado para que possa ser presa de novo, a qualquer momento, sem qualquer aviso. É um exemplo de como se intimida uma pessoa pelo trabalho na defesa dos direitos humanos.

Marielle Franco foi uma corajosa mulher que personificava o que é a defesa dos direitos humanos e lutou destemidamente por um Rio de Janeiro mais justo. Lutou por mulheres negras, pessoas LGBTI, jovens e condenou as execuções ilegais cometidas pela polícia. Infelizmente foi silenciada, assassinada a tiro no seu carro. Uma ação que faz parte de uma tendência no Brasil, onde pelo menos 70 defensores de direitos humanos foram mortos em 2017. No Brasil, as pessoas que defendem os direitos humanos vivem com um medo permanente.

Nonhle Mbuthuma lidera a luta da sua comunidade contra uma empresa mineira que quer explorar titânio na sua terra ancestral. Está a ser alvo de perseguições e ameaças, e sobreviveu a uma tentativa de assassinato. Alguém a quer muito silenciar, mas ela não vai desistir: “Quando me tiras a minha terra, tiras-me a minha identidade”, afirma esta corajosa mulher!

E, por último, Vitalina Koval, que trabalha arduamente para defender os direitos LGBTI e os direitos das mulheres na Ucrânia. Por causa disso, já foi atacada e intimidada em várias ocasiões. Por exemplo, foi violentamente atacada depois de organizar uma manifestação pacífica no Dia Internacional da Mulher em 2018. Os seus atacantes foram libertados poucas horas depois. E a verdade é que estes ataques fazem parte de uma ampla vaga de violência e intimidação por parte de grupos de extrema direita na Ucrânia. Mas Vitalina e outros defensores de direitos humanos não vão ceder ao medo e ao ódio, e nós estamos do lado deles.

Dentro de cada um de nós, há um defensor – ou defensora – de direitos humanos. Há uma pessoa com a vontade e coragem de mudar o mundo. E tudo começa com a simples ação de dar o nosso nome – em defesa destas pessoas que já estão na linha da frente a defender os direitos e liberdades de todos.

Elas precisam desta força. Como lhes vamos responder?

www.amnistia.pt/euassino

Este texto é da autoria e responsabilidade da Amnistia Internacional Portugal.

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